Secreto é tudo aquilo que não está à mostra, que conserva o mistério e pode ser, também, um convite ao novo. Com base no nome e identidade do salão do Francisco, o projeto foi concebido para além da estética, buscou na funcionalidade cotidiana a compreensão da dinâmica e dos fluxos de um salão de beleza de forma autônoma e complementar, criando uma sinergia.
O projeto uniu três salas: duas paralelas e uma perpendicular. A divisão existente entre elas foi organizada a partir do eixo hidráulico comum, subtraindo um quarto de parede e permitindo a passagem e unificação. Daí nascem o fluxo e a setorização das atividades do salão. Na sala perpendicular, ficam o acesso e a recepção, seguidos por uma passagem discreta para a área de equipe e apoio, sem porta e pouco visível. A abertura de um trecho do bloco hidráulico criou a passagem para a área de corte do salão. Todo o bloco recebeu um painel de marcenaria que unifica esses espaços e confere identidade ao conjunto, que inclui o banheiro social, a área técnica e a lavanderia.
A junção entre as duas salas paralelas ocorre por meio de trechos removidos de alvenaria, que permitem um fluxo de idas e vindas. Ao todo, são três intervalos, e o que resta de parede serve como suporte para a cadeira de corte.
Seis estruturas móveis de serralheria definem as estações de trabalho de cada profissional. Desenhadas em perfil tubular galvanizado, são encaixadas em outros perfis tubulares fixados nas paredes. Duas outras estruturas de suporte com função de armazenamento também foram projetadas, além dos nichos em chapa de aço que apoiam a área dos lavatórios.
Talvez o que a arquitetura explorou no Salão Secreto vá além da estética: são seus fluxos e passagens que, de um espaço para o outro, revelam a função de cada ambiente.